

Don’t test me.
Lucy deu um passo para trás assim que escutou a risada do amigo. De olhos bem abertos, ela o fitou. Nunca o escutara rir daquele jeito. Pensou, se recompondo. – Mas já? – Ela perguntou de imediato, permitindo exibir o próprio desagrado. Não desejava se despedir do garoto, não depois de tanto tempo sentindo a ausência dele. ‘- Você vem comigo? Dois pares de olhos patrulham melhor que um. –‘ A pergunta de Garrett a deixou sem palavras. – É claro. – Respondeu, assim que entendeu que o Monitor desejava a sua companhia. No minuto seguinte, seu coração pulsava animadamente, diante da expectativa de ficar mais algum tempo ao lado dele. – Mas será que não vou te causar problemas? – Perguntou meio preocupada. Lucy não era monitora, afinal. Dando de ombros, a menina o seguiu. O castelo estava em silêncio e na penumbra, mesmo assim, sentia-se segura junto ao moreno. Desde os últimos acontecimentos, a pequena não se dava ao luxo de perambular pelo castelo depois do toque de recolher. Ainda mais, contando com o fato de ter problemas com Sonserinos. – Por onde começamos? – A menina indagou curiosa.
Enroscou o braço envolta do ombro da pequena Corvina, vendo que ela concordara com a companhia. É claro que concordara, ela faria tudo para ter mais tempo com Garrett. - Relaxa. Qualquer coisa você se esconde atrás de mim, já que é tão pequena. - Afagou carinhosamente os cabelos de Lucy, sorrindo. - Bem, levando em conta que agora o número de pessoas para patrulhar o castelo aumentou… - Ele parou concentrado em seus pensamentos por um instante. - Vamos descer. Agora que acabou o jantar, é sempre bom revistar os primeiros andares para ver se não há nenhum engraçadinho. - E com o terminar das palavras, puxou-a em direção as escadas, com sua varinha em mãos e produzindo uma luz na ponta da mesma para iluminar o caminho de ambos. Miller permaneceu quietos por alguns minutos, absorto em seus pensamentos. Não saberia como dizer o que desejava e sentia que nunca conseguiria por em palavras o que queria. - Não sei se conseguirei ser realmente sociável. - Lançou, cortando o silêncio entre os dois. - Mas estou realmente grato à você e nunca me cansarei de dizer isso. Quando eu disser tudo o que aconteceu aos meus pais, eles se recusariam com a vida deles a aceitar. - Riu consigo, imaginando principalmente a reação de sua mãe. - Mas eles também estariam eternamente gratos à você.
O sorriso que surgiu nos lábios de Garrett surpreendeu a Corvina, Lucy nunca o vira sorrir daquela maneira e sem conseguir evitar o impulso, permitiu-se abrir outro sorriso, acompanhando-o e observando a cicatriz presentear seu rosto. Monroe fechou os olhos e ficou tentada a tocá-lo, mas parou. Desejava sentir os detalhes daquela cicatriz. Foi quando ele a tocou, sua mão formigou quando a dele apertou a sua. Imediatamente, a morena reabriu os olhos e mirou suas mãos unidas. O corpo de Lucy gritava: Quero que me ame, enquanto ele tocava seu rosto. Por um longo instante, ficou dominada pela doçura daquele gesto. ‘- Você é linda. –‘ E por fim, aquelas palavras. Seu corpo inteiro pareceu derreter e a menina sorriu sem jeito. Monroe precisou de toda a força de vontade do mundo para brincar. – Você diz isso para todas. – Falou, desviando o olhar.
Seu coração batia com força, enquanto ela tentava encontrar as melhores palavras para conseguir descrever aquele momento em sua mente. – Você não me deve nada Garrett. – A corvina respondeu, enquanto ele beijava sua testa. Suas pernas vacilaram e a morena acreditou que fosse cair. Se a menina deixou transparecer suas emoções, Miller fingiu não perceber e Lucy respirou aliviada. – Você está me deixando sem graça Garrett. – Admitiu, abrindo um sorriso para disfarçar seu nervosismo.
- Para todas? - Repetiu ele com um certo ar cômico. Garrett gargalhou. A risada soava meio macabra, mas ainda assim pura. Como poderia ele dizer uma coisa daquelas para outras se mal ele se socializava? Lucy era pura, inocente e ingênua, muitas vezes o Corvino se sentia incapacitado, ou até mesmo proibido de permanecer ao lado dela. A corrompiria. Garret, na visão de outros, de muitos, não era uma boa companhia, sequer era uma companhia. Mas desde quando se importava com o que os outros diziam dele? Lucy percebia que não era exatamente assim, uma vez que permanecia junto do maior. Ele sorriu com as palavras da Corvina. Adorava deixá-la sem graça, assim como adorava fazer isso com Kate - por mais que com esta, a dificuldade aumentava um pouco. - Agora que me recordei, preciso patrulhar. - Mas não desejava se separar de Monroe tão cedo. - Você vem comigo? Dois pares de olhos patrulham melhor que um. - O que, em fato, era verdade. Nunca soube se poderia levar alguém não-monitor para patrulhar consigo, mas como descobriria então se não tentasse?
Or yet in wise old Ravenclaw,
If you’ve a steady mind,
Where those of wit and learning,
Will always find their kind.
